NOVIDADES

PETRÓLEO

09.09.2020

O crescente cerco às emissões de carbono dos automóveis tradicionais tem levado petroleiras a aumentarem os investimentos em combustíveis verdes, com uma combinação de óleos vegetais e petróleo durante o processo de refino. O movimento, acelerado pela pandemia do coronavírus, ocorre ao mesmo tempo em que diversos países desenvolvem políticas para eliminar carros movidos a gasolina e diesel ao longo desta década.

No Brasil, a Petrobras está à frente dessa tendência. A companhia pretende investir US$ 1 bilhão, nos próximos cinco anos, em uma área de combustíveis verdes. A estatal já desenvolveu o chamado diesel renovável e só espera regulamentação do governo para vender o novo combustível ao setor de transporte de carga.

A expectativa do mercado é que o governo defina as regras de uso ainda neste semestre, já que o diesel renovável não demanda mudança no motor dos veículos.

A Petrobras ainda pretende produzir querosene de aviação renovável (bioQav), além de, no futuro, desenvolver gasolina de nafta renovável com etanol. Para isso, a estatal estuda construir biorrefinarias no país e atualizar algumas refinarias para os novos combustíveis.

Para Márcio Felix, presidente da EnP Energy, os combustíveis verdes podem ajudar no processo de transição dos carros com motor a combustão para veículos híbridos e elétricos. Os combustíveis verdes podem ser, para o Brasil, uma oportunidade em uma área na qual já tem experiência e competitividade.

— Vivemos hoje uma disputa sobre qual modelo vamos ter no futuro, se serão os carros elétricos, os híbridos ou aqueles com combustíveis verdes. Ainda não sabemos qual será o modelo vencedor — afirma Felix, que foi secretário executivo do Ministério de Minas e Energia no governo Michel Temer.

Planos para biorrefinarias
O diesel renovável da Petrobras tem como matérias-primas óleos vegetais e gorduras animais, que, no refino, são combinadas com o diesel comum. É a mesma matéria-prima do biodiesel, que é misturado ao diesel vendido nos postos. A diferença é que o diesel renovável usa uma reação com hidrogênio que permite, dizem estudos, reduzir a emissão de gases em 15% em relação ao biodiesel.

— O diesel renovável veio para ficar e vai concorrer com o biodiesel — diz Ricardo Pinto, consultor sênior da Petrobras.

A estatal está vendendo parte de suas refinarias, o que vai acabar com a concentração de mercado e pode abrir espaço para que outras companhias do setor invistam em combustíveis verdes no país. O diesel renovável é o que mais cresce no mundo em termos percentuais, embora, em vendas, esteja atrás do etanol e do biodiesel.

Na Europa, entre 2010 e 2019, o uso do diesel renovável avançou 31%, segundo dados da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva. Nos Estados Unidos, a previsão é que a produção de diesel renovável aumente 49% só neste ano, frente a 2020.

Para Valéria Lima, diretora do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), o Brasil, apesar de ter gasolina com 27% de etanol e diesel com 12% de biodiesel, ainda está atrasado na agenda ambiental do setor:

— Esses movimentos buscam a descarbonização da matriz de transporte. O diesel renovável é uma evolução tecnológica. Não podemos ficar reféns só de uma tecnologia.

Petroleiras ampliam portfólio
O movimento da Petrobras é seguido por outras petroleiras no mundo. A britânica BP tem a ambição de ter 20% do mercado global de biocombustível de aviação até 2030. A italiana Eni está transformando em biorrefinaria sua unidade no Porto Marghera, em Veneza, na Itália.

Na França, a Total — que pediu para se desligar da American Petroleum Institute (API), associação de petroleiras que faz lobby junto ao governo americano, por divergências em relação às políticas climáticas do grupo — já conta com uma biorrefinaria desde 2019.

No interior de São Paulo, a Raízen, controlada por Shell e Cosan, inaugurou recentemente sua primeira planta de biogás, que usa resíduos de cana para gerar energia e gás biometano, usado para substituir o diesel em frotas pesadas:

— Investimos no etanol de segunda geração, um biocombustível produzido por meio da biomassa da cana. Este produto é fundamental para a evolução da matriz energética e para a economia global de baixo carbono — diz Claudio Oliveira, vice-presidente de Relações Institucionais da Raízen.

Autor/Veículo: O Globo 19/01/2021

Fonte: https://www.fecombustiveis.org.br/noticia/com-avanco-de-carros-eletricos-e-hibridos-petroleiras-correm-para-fazer-combustivel-verde/245402

Fonte: https://www.fecombustiveis.org.br/noticia/preco-do-petroleo-cai-por-temor-com-coronavirus-e-valorizacao-do-dolar/245411

Preço do petróleo cai por temor com coronavírus e valorização do dólar

19/01/2021

19/01/2021

Os preços do petróleo tiveram leve queda nesta segunda-feira, com a valorização do dólar e temores relacionados ao aumento no número de casos de Covid-19 ao redor do mundo e ao ritmo lento de vacinação contra o coronavírus ofuscando uma recuperação trimestral acima do esperado na economia da China.

O petróleo Brent fechou em queda de 0,35 dólar, ou 0,64%, a 54,75 dólares por barril, enquanto o petróleo dos Estados Unidos (WTI) cedeu 0,27 dólar, ou 0,52%, para 52,09 dólares o barril, em dia em que os mercados norte-americanos permaneceram fechados devido a um feriado local.

“Os temores econômicos induzidos pelo coronavírus, o dólar mais forte e o sentimento mais pessimista dos investidores estão desempenhando seus papéis no fato de que o Brent está operando cerca de 3 dólares abaixo do visto na quarta-feira passada”, disse Eugen Weinberg, analista do Commerzbank.

Os contratos de referência haviam se recuperado nas últimas semanas, impulsionados pelos avanços da vacina contra a Covid-19 e por um corte inesperado na produção de petróleo da Arábia Saudita. O ritmo lento da vacinação, porém, gerou dúvidas sobre o quão cedo as economias poderão se recuperar.

O dólar, enquanto isso, se fortaleceu pelo terceiro dia seguido nesta segunda-feira, atingindo uma máxima de quatro semanas. O preço do petróleo geralmente é cotado em dólares, o que faz com que a valorização da divisa norte-americana torne a commodity mais cara para compradores com outras divisas.

Autor/Veículo: Money Times